O vírus do rádio já se manifestava em mim desde 1958, quando eu ficava imaginando como a voz do locutor do jogo da Copa do Mundo chegava “dentro do aparelho”. Comecei a fuçar e não parei mais. Depois que fiz um cursinho de montagem e reparação de “rabo-quente”, oferecido pelo MEC, em 1966, fiquei mais curioso e me aprofundei nas ondas curtas. Os instrutores do curso eram radioamadores e não tiveram pena do jovem de 15 anos que começava a se apaixonar pela ondas decamétricas. Montei meu receptorzinho com 5 faixas de onda, com band-spread e BFO, para ouvir também SSB e CW. Fiquei feliz com o desempenho do aparelinho e o utilizava sempre que tinha uma folga nos estudos e na banda de rock.
Levei o receptor na minha bagagem, quando me casei e fui morar em um sobradinho, em Niterói. Foi em 1973. Eu ainda não havia montado transmissores de RF, talvez por medo de que não funcionassem corretamente e interferissem em outros serviços. Comprei, então, um transceptor usado, marca Johnson, para a faixa de 11m, com 4 canais controlados a cristal na transmissão e recepção com VFO. Aí apareceu a necessidade da antena. Escolhi um dipolo de meia de onda, por ser de fácil execução.
Era domingo, comércio fechado. Eu tinha alguns metros cabo coaxial de 75 Ω e um conector PL-259, que vieram com o rádio. Uns pedaços de fio 14 AWG resolveriam o problema, mas eu não tinha onde amarrá-los, pois morava em um sobrado e não tinha acesso ao telhado. Olhei para os trilhos que estavam aguardando, em um canto da sala, a cortina que a xtal ainda não havia concluído. Se tivesse pensado 2 vezes, não os teria cortado com 2,62 m e fixado, com pregos, em uma vassoura de piaçava. Ficou algo parecido com um V-invertido bem obtuso, mas funcionou! Empurrei aquilo tudo para fora, com muita dificuldade, através da janela, emendei o cabo da vassoura com o de outra e pronto. Meu 1º QSO foi com a Sara, PX1-o770, que me desejou boas vindas e me batizou, mesmo clandeco. O 2º contato já foi com uma estação da 7ª região, João Pessoa – PB, que me aconselhou muito a legalizar a estação, mas só declinou seu indicativo de radiomador. Eu heim, Rosa! Foram uns 15 ou 20 contatos nesse dia, não lembro bem, pois não anotei.
Quando as cortinas ficaram prontas, eu já era um macanudo dos 11 m e até “já tinham atribuído um indicativo” à minha estação, cujo detentor era homônimo e havia passado para o andar de cima. A janela maior tinha, felizmente, 2,40 m de largura! As cortinas e acessórios foram presente de casamento, mas tudo acabou bem!