Arquivo do mês: abril 2009

Cofasando 2 antenas

Ouvi dizer no rádio e li em uma lista de discussão que, para se empilhar 2 yagis, basta interligá-las com cabo coaxial de 75Ω, cortados com múltiplos ímpares de 1/4 λ, a um único cabo de descida com 50Ω de impedância. Até aí, tudo bem! Mas aí veio a explicação: “se cada antena tem 50Ω, as duas em paralelo terão 25Ω que, subtraídos dos 75Ω do cabo coaxial, resultam em 50Ω”. Simples assim! Mas tá errado, não há lógica, porque subtrair? Ouviram o galo cantar, mas não sabem onde! É certo que, se você seguir a receita acima, vai funcionar, você vai ficar feliz, vai fazer alguns DX, mas nunca tente explicar dessa forma, não repasse essa asneira adiante. Podem acreditar e a mentira vai virar verdade!

Então como é que funciona? Um pedaço de cabo coaxial, cortado com 1/4 λ, funciona como um transformador de impedância, ou seja, não reflete em um extremo a impedância que está ligada ao outro. Na verdade, a impedância do cabo é tal que seu valor é a média geométrica das impedâncias em seus extremos. Se o cabo é cortado com 1/2 λ, o que se coloca em um extremo aparece no outro, não se considerando as perdas, ou seja, a impedância colocada em um lado aparece no outro. Finalmente, quando se soma 1/4 λ com 1/2 λ, obtem-se 3/4 λ  com as mesmas características “casadoiras de impedância” de 1/4 λ . O mesmo acontece para 5/4 λ , 7/4 λ  ou qualquer múltiplo ímpar de 1/4 λ.

Não se deve esquecer que a RF caminha mais lentamente no cabo coaxial do que no espaço livre ou no vácuo. Cada cabo tem o seu fator de velocidade específico. Via de regra, os cabos com dielétrico sólido tem um fator de velocidade de 0,66 ou 66%. Nos cabos com dielétrico expandido mais utilizados, o fator de velocidade fica entre 0,80 e 0,85 ou 80% e 85%, respectivamente. Hoje em dia, os cabos com dielétrico expandido, denominados celulares, são mais baratos do que os que têm dielétrico sólido. Ah, sim! Dielétrico é o isolante que fica entre a malha e o condutor central. O dielétrico é expandido quando se misturam pequenas bolhas de ar ao material, ficando como uma espuma mais ou menos rígida.

Até aí, ainda não cheguei a justificar a escrachada que dei no maraca que falou aquelas besteiras. Veja a figura abaixo e os comentários a seguir.

divcoax

O pulo do gato é o seguinte:

  • As antenas são idênticas, estão bem calibradinhas e a impedância delas é de 50Ω.
  • O comprimento L1 dos cabos de interligação das antenas é 3/4 ou 5/4 λ, no espaço livre, multiplicado pelo fator de velocidade do cabo. Para 144,3 MHz, têm-se: L1 = 3/4 X (300/144,3) X 0,83 = 1,29m, onde 300/144,3 = λ e 0,83 é o fator de velocidade do cabo RGC-11 (75Ω com dielétrico expandido).
  • Se, de um lado desse cabo, temos uma antena com impedância de 50Ω, no outro lado teremos uma impedância refletida de 112,5Ω, basta fazer o cálculo na formulazinha da figura (Zcoax = √ Zent . Zant ou Zent = Zcoax²/Zant).
  • Ideal seria se o resultado fosse 100Ω, para que, quando associado em paralelo com o outro ramo, resultasse em 50Ω. Mas não é, então teremos que engulir essa aproximação, ou mandar fabricar um cabo coaxial com impedância característica de 70,7Ω (faça as continhas e verifique)! Melhor deixar com está e prosseguir.
  • Como já havia dito, esses dois extremos opostos às antenas apresentam, cada um, uma impedância refletida de 100Ω, que, associadas em paralelo pelo “T” coaxial, resultam em 50Ω (na verdade, 56Ω mais umas merrequinhas). Era o que queríamos!
  • Na saída do “T” já temos os 50Ω que necessitávamos. Neste caso, o comprimento L2 do cabo de descida pode ser qualquer um, mas eu recomendo que seja mútiplo de 1/2λ. Porque? Porque este comprimento reflete em um extremo o que acontece no outro. Ou você vai querer que, depois de todo esse trabalhão, a leitura da ROE seja falseada por uma besteirinha qualquer. Melhor prevenir e ficar sabendo, do lado de baixo, o que está acontecendo lá em cima.

Para terminar, quero acrescentar:

  • Cabos coaxiais disponíveis no mercado e recomendados: 75Ω –> RG-11 ou RGC-11; 50Ω –> RG-213, RGC-213 ou RGC-8.
  • Um divisor de potência construído em latão e/ou alumínio funcionaria melhor, mas exige alguma usinagem, o que complica bastante a execução. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, recomendo os links http://www.qsl.net/dk7zb/Stacking/splitter.htm e http://f1rfm.free.fr/couplage2a.htm.
  • Os conectores utilizados podem ser do conhecido tipo UHF (PL-259) ou, preferencialmente, do tipo N.

Log de papel

É inegável que o log feito em uma folha de papel, para depois ser passado a limpo, pode conduzir à falhas, duplicidades, perda de tempo. Acontece que nem todos ainda têm a intimidade necessária para utilizar, com segurança, os softwares que foram desenvolvidos para essa finalidade. Aliás – devo dizer – as interfaces não são nada amigáveis. Tanto é, que são muitos os tutoriais denominados “como utilizar o N1MM”.

Não pode ser alvo de chacota quem ainda utiliza papel e lápis para fazer suas anotações, durante um concurso radioamadorístico. É, no mínimo, falta de ética! Esta mesma falta de ética é denunciada, tambem, durante a operação em um concurso: já ouvi, muitas vezes, estações cujos operadores utilizam o log informatizado dando côco nas estações “fraquinhas” cujos operadores fazem o log em papel, enquanto tentavam um contato valioso. Não precisava, não é? Quem utiliza log de papel não ganha concurso, só dá pontos para os tubarões!!! Medo de quê?

PROIBO A REPRODUÇÃO DESTE TEXTO EM QUALQUER LISTA DE DISCUSSÃO.

Transconversor, sim senhor!

Depois que o colega disse que usava um transverter e um cobrinha 148, ouviu coisas do arco da velha: “já vinha notando que sua transmissão está meio espalhada…”; “tem uma rasposidade no seu aúdio que parece estar sendo gerada por realimentação de RF…”; “transverter é coisa de clandestino que gosta de falar na faixinha…”; “o uso desses aparelhos está proibido pela (sic!) Dentel…”. Enquanto não havia dito que equipamento utilizava, todos o atenderam e alguns elogiaram sua transmissão.

Pois bem, fui eu quem fez a experiência. Não é ficção, é verdade, mesmo! Usava um transverter modelo STS-150 (não me lembro mais a marca, pois já faz algum tempo), com 80W de saída, comprado no Mercado Livre, de um vendedor desonesto (veio com o MRF454 aberto entre base e emissor). O rádio transceptor era um Cobra 148GTL EX+, com 10 anos de uso, mas ainda original, sem modificações. Excitava o transverter com 10W em SSB e obtinha 80W na saída, em 40m, depois que troquei o MRF454 imprestável por um SD1446. O ALC do Cobra não permitia sobre excitação do transverter e a saída era limpa e não havia espalhamento pelas laterais, como se escuta por aí em muitas transmissões com rádios de trocentos dólares e mikes de 600 (*). Antes de colocar no ar, eu monitorei, por vários dias, a minha transmissão, para me certificar que não havia lambança. Não havia, mesmo!

Então, era puro preconceito! Não se deixe abater por essas opiniões, compre ou monte o seu transconversor e o utilize com bom senso, com um rádio PX de boa qualidade, sem aúdio escancarado, sem ALC desativado, sem roger-beep, sem eco e sem trouxinhas pré-amplificadoras. As vantagens são muitas, a começar pelo custo, que é bem menor que qualquer rádio HF velho e cheio de problemas (com 250 merréis, você já consegue encontrar um transverter razoável). Os mais comuns são para 40 ou 80m, mas é possível encontrar um dual band tambem. Existem modelos para 6m e 2m, que permitem a entrada no ainda seleto clube do SSB em VHF.

Destaque especial deve ser dado à recepção, que fica muito boa com a 3ª conversão em 27MHz. Basta não escancarar o ganho de RF do PX, utilizar um rabicho curto e de boa qualidade na interligação dos equipamentos, e rezar para que não haja nenhuma estação transmitindo em 11m na mesma frequência intermediária que você está utilizando.

DX-PEDITION ILHA RASA – 1 a 4/5/09

ilha-rasa

Ilha Rasa - GG87kw (foto obtida do Google Earth)

Apesar da ilha estar localizada a menos de 10km da costa, não é uma operação simples. O translado de equipamento, víveres e pessoas será feito por via aérea e, complementarmente, por via marítima. Tudo isso envolve uma logística algo complexa, o comprometimento de cada um dos envolvidos na operação, o bom senso na hora de escolher os equipamentos e a fé em São Pedro, para condições climáticas propícias.

Especial destaque deve ser dado ao oportunismo dos radioamadores que organizam a expedição, que, com uma cajadada, derrubarão vários coelhos, a saber:

  • ativação de um grid raro: GG86kw;
  • AVHFC 2009 – estarão participando, com a PT1R, do já tradicional Araucária VHF Contest, edição de outono/2009, propiciando pontos valiosos aos participantes e, inevitavel e naturalmente, se candidatando ao 1º lugar, haja vista a localização estratégica para 2m e 6m;
  • IOTA – ativação da entidade SA-079, válida para os diplomas Islands on The Air;
  • DIB – ativação da entidade RJ-07, válida para o Diploma Ilhas Brasileiras;arlhs2
  • ARLHS – ativação da entidade BRA-047, válida para os diplomas da Amateur Radio Lighthouse Society;
  • DFB – ativação da entidade RJ-10, valida para o Diploma Faróis Brasileiros.

Em eventos desse tipo, somente a parceria de vários segmentos pode produzir resultados consistentes. Neste caso específico, o Rio DX Group, que congrega Dx’ers experientes; radioamadores com “larga fé de ofício” em técnica e operação, como é o caso do Ivan – PY1YBMarinha do Brasil e Corpo de Bombeiros do RJ, que terão participação decisiva na logística de transporte; e a LABRE-RJ, entidade oficial representativa do radioamadorismo fluminense, que emprestará seu nome por intermédio da participação de seu presidente, todos, enfim, contribuirão para o sucesso da expedição.

Analisador de antena: preciso de um?

Eu preciso, mas ainda acho muito caro! Na categoria dos “fusquinhas” tem um da MFJ que custa, aqui no Brasil, 1200 paus. É muito? Tudo depende da relação custo/benefício que a possível aquisição pode lhe oferecer. Vejamos:

  • Se você entende “lhufas” de antena e não pretende entender, então não compre;
  • Se você entende “lhufas” de antena, não pretende entender, tem algum dinheiro sobrando (tipo 1200 reais), gosta de colecionar coisas inúteis para você, mas tem um colega radioamador que sonha com um analisador de antena e não se enquadra no seu caso e, ainda, tem boa vontade para fazer antenas para você e para outros colegas, então compre;
  • Se você entende um pouco de antena, gostaria de se aprofundar no assunto, faz antenas copiadas para vender, então você e todos que compram as suas antenas merecem que você compre um e faça bom uso do aparelhinho;
  • Se você entende um pouco de antena, gostaria de se aprofundar no assunto, tem agum dinheiro sobrando (tipo 1200 reais) e gosta de fazer suas próprias antenas (muitas!), então compre;
  • Se você entende um pouco de antena, gostaria de se aprofundar no assunto, não tem dinheiro sobrando (tipo 1200 reais) e gosta de fazer suas próprias antenas (poucas), então consiga um colega que se enquadre na 2ª hipótese;
  • Se você não se enquadra em nehuma das alternativas acima, faça a sua hipótese e conclua se deve comprar ou não! Se, no final da história, o instrumento for inútil para você, eu o compro, pela metade do preço ou pelo preço em dólar nos USA.

Brincadeiras a parte, um analisador de antena é uma excelente ferramenta para os experimentadores. Permite que se meça, com razoável precisão, não só a impedância “total” de uma antena e a ROE, como tambem as componentes resistivas e reativas dessa impedância. Permite saber se uma antena está curta ou comprida para uma certa frequência. Permite avaliar qual o comportamento da antena ao longo da banda a ser utilizada. Permite, enfim, avaliar uma série de outras grandezas.

Todo fabricante ou fabricante clonador deveria ter um. Eu preciso de um, embora não seja fabricante e, muito menos, clonador. Alguem tem, para me vender, um MFJ-269, desde que se enquadre na última hipótese acima citada?